ELOGIO À PREGUIÇA
 

 

Juvenal Antunes I

O cearamirinense Juvenal Antunes é um dos novos personagens da mini-serie Amazonia. Nascido no engenho Oiteiro, em Ceará-Mirim, no dia 29 de abril de 1883, formou-se em Direito em Pernambuco e mudou-se para o Acre para exercer a função de Promotor de Justiça. Durante sua vida, Juvenal Antunes foi um boêmio irrecuperável. Ele também teve um amor não correspondido, que foi a sua eterna amada Laura. Para ela, escreveu diversas poesias, além de outros três livros.

Juvenal Antunes morreu no dia 30 de abril de 1941, na Santa Casa de Misericódia, de Manaus. Muito doente, ele havia partido do Acre no navio Belo Horizonte, rumo ao Rio Grande do Norte. Queria voltar a Ceará-Mirim, sua inesquecível terra natal.

Elogio à preguiçfoi o poema que levou Juvenal Antunes à fama.

fonte :Carlos Magno Araújo -Diario de Natal

ELOGIO À PREGUIÇA

Bendita sejas tu, Preguiça amada,  Que não consentes que eu me ocupe em nada!

Mas queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,  Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.

Não permuto por toda a humana ciência  Esta minha honestíssima indolência.

 Lá esta, na Bíblia, esta doutrina sã:

-Não te importes com o dia de amanhã.  Para mim, já é grande sacrifício

Ter de engolir o bolo alimentício.  Ó sábios , daí à luz um novo invento:

A nutrição ser feita pelo vento!  Todo trabalho humano, em que se encerra?

Em na paz, preparar a luta, a guerra!  Dos tratados, e leis, e ordenações,

Zomba a jurisprudência dos canhões!  Juristas, que queimais vossas pestanas,

Tudo que legislais dá em pantanas.  Plantas a terra, lavrador? Trabalhas

Para atiçar o fogo das batalhas...  Cresce o teu filho? É belo? É forte? É loiro?

- Mas uma rês votada ao matadouro! ...  Pois, se assim é, se os homens são chacais,

Se preferem a guerra à doce paz,  Que arda, depressa , a colossal fogueira

E morra assada, a humanidade inteira!  Não seria melhor que toda gente,

Em vez de trabalhar, fosse indolente?  Não seria melhor viver à sorte,

Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?  Queres riquezas, glórias e poder? ...

Para que, se amanhã tens de morrer?  Qual mais feliz? O mísero sendeiro,

Sob o chicote e as pragas do cocheiro,  Ou seus antepassados que, selvagens,

Viviam, livremente, nas pastagens?  Do Trabalho por serem tão amigas,

Não sei se são felizes as formigas!  Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,

As preguiçosas, pálidas cigarras!  Ó Laura, tu te queixas que eu, farcista,

Ontem faltei, à hora da entrevista,  E, que ingrato, volúvel e traidor,

Troquei o teu amor - por outro amor...  Ou que, receando a fúria marital,

Não quis pular o muro do quintal.  Que me não faças mais essa injustiça! ...

Se ontem não fui te ver - foi por preguiça.  Mas, Juvenal, estás a trabalhar!

Larga a caneta e vai dormir... sonhar ...

 Poema publicado no blog chamine dia 14/03/07

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