Ceara Mirim


 
 

  Juvenal Antunes I

o cearamirinense Juvenal Antunes é um dos novos personagens da mini-serie Amazonia. nascido no engenho Oiteiro, em Ceará-Mirim no dia 29 de abril de 1883. Formou-se em direito em Pernambuco e mudou-se para o Acre para exercer a funcao de promotor de justica.Durante sua vida Juvenal Antunes foi um boemia irrecuperavel,. Ele teve um amor nao nao correspondido com a sua eterna amada laura. Escreveu diversas poesias para Laura, como tambem escreveu tres livros. Juvenal Antunes morreu ano dia 30 de abril de 1941, na Santa Casa de Misericódia, em Manaus. Muito doente, ele havia partido do Acre no navio Belo Horizonte rumo ao Rio Grande do Norte. Queria voltar a Ceará-Mirim. Elogio a preguica e o poema que levou a fama a Juvenal Antunes.

ELOGIO À PREGUIÇA

Bendita sejas tu, Preguiça amada,  Que não consentes que eu me ocupe em nada!

Mas queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,  Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.

Não permuto por toda a humana ciência  Esta minha honestíssima indolência.

 Lá esta, na Bíblia, esta doutrina sã:

-Não te importes com o dia de amanhã.  Para mim, já é grande sacrifício

Ter de engolir o bolo alimentício.  Ó sábios , daí à luz um novo invento:

A nutrição ser feita pelo vento!  Todo trabalho humano, em que se encerra?

Em na paz, preparar a luta, a guerra!  Dos tratados, e leis, e ordenações,

Zomba a jurisprudência dos canhões!  Juristas, que queimais vossas pestanas,

Tudo que legislais dá em pantanas.  Plantas a terra, lavrador? Trabalhas

Para atiçar o fogo das batalhas...  Cresce o teu filho? É belo? É forte? É loiro?

- Mas uma rês votada ao matadouro! ...  Pois, se assim é, se os homens são chacais,

Se preferem a guerra à doce paz,  Que arda, depressa , a colossal fogueira

E morra assada, a humanidade inteira!  Não seria melhor que toda gente,

Em vez de trabalhar, fosse indolente?  Não seria melhor viver à sorte,

Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?  Queres riquezas, glórias e poder? ...

Para que, se amanhã tens de morrer?  Qual mais feliz? O mísero sendeiro,

Sob o chicote e as pragas do cocheiro,  Ou seus antepassados que, selvagens,

Viviam, livremente, nas pastagens?  Do Trabalho por serem tão amigas,

Não sei se são felizes as formigas!  Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,

As preguiçosas, pálidas cigarras!  Ó Laura, tu te queixas que eu, farcista,

Ontem faltei, à hora da entrevista,  E, que ingrato, volúvel e traidor,

Troquei o teu amor - por outro amor...  Ou que, receando a fúria marital,

Não quis pular o muro do quintal.  Que me não faças mais essa injustiça! ...

Se ontem não fui te ver - foi por preguiça.  Mas, Juvenal, estás a trabalhar!

Larga a caneta e vai dormir... sonhar ...

 Poema publicado no blog chamine dia 14/03/07

 



Escrito por Blog CHAMINÉ às 01h29



Escrito por Blog CHAMINÉ às 01h29
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AJuvenal Antunes é promotor de Justiça no Acre e um boêmio irrecuperável. 

  Advogado formado em Pernambuco, foi para o Norte acompanhando o irmão, Ezequiel Antunes, em 1911. Juvenal Antunes morreu a 1 hora e 10 minutos do dia 30 de abril de 1941, na Santa Casa de Misericódia, em Manaus. Muito doente, ele havia partido do Acre no navio Belo Horizonte rumo ao Rio Grande do Norte. Queria voltar a Ceará-Mirim.

Este ano foi até inaugurada uma estátua em sua homenagem em Rio Branco.


 Em quase tudo o que fala se refere a Laura, amor de sua vida, não correspondido, frustração que carregaria até seus últimos dias.

“teu corpo tem sabor de finas uvas/e o gosto da água das primeiras chuvas

Há um poema clássico que levou fama a Juvenal Antunes. É o “Elogio da Preguiça”. Começa assim:

“Bendita seja tu, preguiça amada,
que não consentes que eu me ocupe em nada.
Mas, queiras tu, preguiça, ou tu não queiras,
hei-de dizer, em verso, quatro asneiras.
Não permuto por toda a humana ciência
Esta minha honestíssima indolência”

E por aí vai...

Há um pequeno livro sobre Juvenal Antunes que pede reedição. Chama-se “Um boêmio inolvidável”, escrito por Esmeraldo Siqueira. Foi publicado pela Pongetti em 1968 e reúne artigos sobre Juvenal Antunes publicados na imprensa local em 1953.


Juvenal Antunes, um potiguar em Amzônia - 4

Alguns versos que resumem o espírito ao mesmo tempo libertário, boêmio, brincalhão e apaixonado de Juvenal Antunes, ambos dedicados à amada Laura:

“És eleitora, Laura,? Dá-me o voto
e cabala a favor do teu devoto.
Fabrica as atas, grita, rouba as urnas,
Vai buscar eleitor até nas furnas.
Promete tudo, até cardinalato,
E faze triunfar teu candidato!
És a virtuosa e teologal aliança:
És fé, és caridade, és esperança
És a mais terna desinência em íssima:
Amadíssima Laura adoradíssima.
Em dó, em ré, em mi, fá, sol, lá, si.”

Outro poema dedicado a Laura:

“Escrevo em folhas de jasmim, em trevo,
em palmas de coqueiro, em tudo escrevo,
em pedra, em cobre, em chumbo, em amianto,
escrevo em qualquer parte, em qualquer canto,
pedi tinta ao luar, ao dia, à aurora,
Tinta pedi a tudo que colora,
E, se dignos de ti papel e tinta
Tudo busquei em vão, se me consinta
Usar tinta e papel que, enfim, achei:
Com sangue no meu peito escreverei.”

Juvenal Antunes, um potiguar em Amazônia - 5



Como começou a piorar, os amigos decidiram ancorar no porto da capital amazonense e levá-lo ao hospital. Passados 66 anos, pouco se fala de Juvenal Antunes no RN. O acervo de livros – ele publicou três – e poemas ficou com a irmã dele, Madalena Antunes.

Foi dela o material que abasteceu o livro de Esmeraldo publicado no final dos anos 60. Uma vez, escrevendo para um sobrinho que se mudaria para o Rio de Janeiro – e a ele foi pedir ajuda sobre o que encontraria na cidade grande -, Juvenal escreveu um decálogo com sua recomendações, cheio de bom humor. Eis algumas delas:

- Nunca te cases, nem mesmo com uma agonizante rica.
- Não furtes pouco, que é muito feio.
- Adora tuas produções artísticas, embora não valham nada.
- Ama os vícios. Só têm o defeito de custar dinheiro.
- Só trabalhes quando te pagarem. De graça não faça nem uma graça

19/03/2007 12:10
Diogo, de Juvenal Antunes

 É caracterizado assim que o ator Diogo Vilela interpreta Juvenal Antunes, o promotor potiguar que fez carreira no Acre - carreira na boemia, inclusive e principalmente. O personagem está na segunda fase da minissérie Amazônia, da Rede Globo.

Antunes, nascido em Ceará-Mirim, foi para o Acre no início do século passado. Virou figura respeitada e ao mesmo tempo folclórica. Passava o dia bebendo, fazendo poesia e glosas e lembrando de um amor não correspondido, Laura

* Veja mais embaixo tópicos contando tudo sobre quem foi Juvenal Antunes. A foto é do site da minissério global Amazônia.

Carlos Magno Araújo
Blog do Magno
cmagno@diariodenatal.com.br

O poeta do Hotel Madrid

O poeta do Hotel Madrid

A novelista Glória Perez garimpou e encontrou junto à escritora Lúcia Helena Pereira, sobrinha-neta de Juvenal Antunes, a jóia rara que é esta foto do poeta que fez história no Segundo Distrito de Rio Branco, nos anos 20. A foto está na internet, no blog de Glória e também do jornalista Altino Machado, que a recebeu de presente. Decidi pirateá-la para Almanacre, por acreditar que um registro dessa natureza deva ser socializado. Personagens como Galvez, Plácido de Castro, Juvenal Antunes e Chico Mendes, entre outros, constituem patrimônio dos povos da floresta.

Nascido no Rio Grande do Norte, Juvenal Antunes veio para o Acre para exercer a função de promotor público. Os que o conheceram nas duas primeiras décadas do século 20 se renderam à sua genialidade. O promotor (e poeta) recebia seus salários por exercício findo, ou seja, no fim do ano, quando tinha acumulado contas a pagar. Permanecia a maior parte do tempo de pijama (e bêbado) à porta do badalado Hotel Madrid, na rua da frente do Segundo Distrito

O também poeta, escritor e advogado acreano Océlio Medeiros, 94, conviveu com Juvenal e o transformou em personagem do livro “Represa”, difícil de encontrar nas bibliotecas e sebos. A obra, publicada em 1942 pela editora Irmãos Pongetti, do Rio de Janeiro, foi e permanece amaldiçoada pela sociedade que a inspirou.

No capítulo 13, que publico a seguir, Océlio narra uma visita que o oficial de gabinete da Prefeitura de Rio Branco, Felipinho, fez ao poeta Juvêncio (na verdade, Juvenal) pedindo apoio para a criação da Academia Acreana de Letras. O escritor pode ter se excedido na descrição do contemporâneo, mas, pelo que se sabe, Juvenal Antunes apreciava o excesso.

No prefácio de um livrinho de sonetos que publicou em 1922, em Rio Branco, Juvenal Antunes (1883-1941) declara: “Amo, sinceramente, a ignorância, que é, quando acompanhada do bom senso e da probidade, a situação mais conveniente à inteligência e ao coração”.

MEU CORAÇÃO

Meu coração é monstro multiforme,

É urze e girassol, pomba e serpente,

Ora, insone, no berço, ou chora ou dorme,

Ora mostra, a ranger, canino dente.

Quantas vezes, d´um nobre sentimento

Sente presa, em plácido abandono,

Mas, é pomba a serpente um só momento,

Enganando e mentindo ao próprio dono.

Vê si o seu jugo, ó meu amor, sacodes!

Foge de mim e odeia-me, se podes!

(Juvenal Antunes)

http://www.kaxi.com.br/artigos.php?id=108

Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

A POSE DO JUVENAL ANTUNES



"Já postei no blog e mando para você essa foto do Juvenal Antunes, presente da sobrinha neta dele, a escritora Lúcia Helena Pereira! Olha a pose do nosso poeta!"

Beijo

Glória Perez

No Blog da Autora, a novelista acreana conta: "Juvenal veio do Rio Grande do Norte como promotor de Justiça, mas era, antes de tudo, um boêmio inveterado. O terno nunca foi seu uniforme: passava os dias metido num robe, na porta do hotel Madrid, onde vivia em Rio Branco, bebendo, fazendo versos e proclamando seu amor a Laura, mulher casada que lhe inspirou os mais belos sonetos. Sair dali? nem para receber o ordenado, que lhe chegava por exercícios findos!" Clique aqui para ler os poemas "Elogio à preguiça" e "Laura". Ou aqui, para mais referências do poeta. Juvenal Antunes é o guru do jornalista Antonio Alves, do blog O Espírito da Coisa. É o meu também, mas não costumo admitir publicamente. Aliás, Toinho já conversou com Binho Marques, o governador eleito, a quem pediu um cargo com as seguintes condições de trabalho: "Basta uma rede, na sombra, com uma mesinha ao lado e, sobre ela, uma jarra com água de côco bem geladinha. Pra mim, é o suficiente". Duvidam? Leiam o blog dele. Parece que somos todos doidos nessa terra. Segue o poema "Bacanal romana no Madrid", de 1940, de autoria do Océlio Medeiros, advogado e poeta acreano de 93 anos, em homenagem ao Juvenal Antunes.

"Também participei da bacanal boêmia,
com a nata cultural da sociedade airada.

No fim do rega-bofe, a tíade Noêmia,
ao impulso das tuas taras, nua foi deitada
sobre a toalha...E tu, sardento desdentado,
aos risos, sobre a Vênus, vinho derramaste.

-Oh! sátiro caprípede do Acre liberado! –

E da cabeça aos pés, a ninfa babujaste...
Mas não foi isto o fim da orgíaca noitada...

Um naco do rosbife semi-cru enfiaste
entre as coxas da mênade, ainda menstruada,
e metendo a tua língua, o naco retiraste!..."

Publicado pelo Editor do blog em 15:17  

http://altino.blogspot.com/2006/11/pose-do-juvenal-antunes.html

Terça-feira, 18 de Abril de 2006

JUVENAL ANTUNES NA GLOBO

O poeta Juvenal Antunes (1883-1941) será personagem da série da Rede Globo sobre o Acre, cujo título provisório é “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”, de autoria da escritora acreana Glória Perez. As gravações começam em setembro e a estréia está prevista para janeiro de 2007. Ele nasceu em Ceará-Mirim (RN) e foi advogado e promotor público no Acre. Segundo o jornalista Armando Nogueira, acreano de Xapuri, o poeta morreu de melancolia, em Manaus. Antunes publicou "Cismas", ainda em Natal, além de vários poemas em jornais acreanos. Em 1922, publicou "Acreanas", o primeiro livro de poesia escrito no Acre. A irreverência e a boemia determinaram a mudança de Estado. O poeta era irmão da memorialista Madalena Antunes Pereira e com ela manteve terna e bem-humorada correspondência, quando se viu forçado a mudar para o Acre.

- O poeta papa-jerimum, Juvenal Antunes, autor do “Elogio da Preguiça” e dos poemas à sua musa Laura, que chifrava o marido no Beco do Mijo, era ainda o promotor público que recebia os vencimentos por “exercícios findos”. O Juvenal era hóspede eterno do Hotel Madrid, recebia por fora do quadro e só pagava hospedagem no fim de cada ano: era a atração do hotel, comendo, bebendo e pagando noitadas no fiado - contou o advogado e escritor Océlio Medeiros, 90.

Passei dois dias tentando obter um exemplar de "Acreanas". A cientista política Letícia Mamed, que me ajudou na busca, conseguiu o livro "Cantos e encantos da floresta", uma coletânea de poesias organizada pela professora Laélia Maria Rodrigues da Silva.

- Embora "Acreanas" seja o primeiro livro de poesia escrito no Acre, só há um exemplar dele, na Biblioteca Nacional - explicou Laélia. Na coletânea que ela organizou estão os poemas "O Acre", "Elogio da preguiça", "Elogio da solidão" e "Elogio do amor livre".

Ainda não desisti de encontrar um exemplar do "Acreanas". Quem possuí-lo, favor avisar para que eu possa fazer uma cópia.

Abaixo, duas crônicas do jornalista Armando Nogueira, que relata a influência do poeta Juvenal Antunes no ofício dele com a palavra.

-
Juvenal Antunes apurou meu ouvido pra magia da palavra. Aprendi com ele que a preguiça é um nobre sentimento que habita o coração dos poetas. Preguiça, teu verdadeiro nome é contemplação - assinala Armando Nogueira.

Existe, ainda, um post exclusivo para o brilhante "Elogio da preguiça", seguido de "Laura", a quem Juvenal Antunes escrevia poemas. Laura era a mulher que parece ter sido sempre a "Desejada e nunca a Possuída". Apesar da paixão fervorosa, o poeta "viveu e morreu solteiro".

 ALMANACRE
Elson Martins


Sobrinha-neta de peixe...

Ao ler notícias sobre a escritora Lucia Pereira, do Rio Grande do Norte, sobrinha-neta do poeta Juvenal Antunes (1883-1941) que viveu 20 anos como hóspede do Hotel Madrid em Rio Branco, enviei um e-mail pedindo mais informações sobre seu parente ilustre. Abusei um pouco e pedi, também, uma colaboração para esta página. Sexta-feira, 17, ela respondeu com carinho e sentimento. E me surpreendeu enviando poemas de sua lavra.

Caramba! Lúcia, 61 anos, tem a mesma veia poética do tio-avô!. Leiam, por exemplo, Sem Tema, que ele produziu em abril:

Trago no rosto as purpurinas de ontem
E mãos repletas de amor.
Quero ser o perfume de uma flor esquecida
Inebriando, com seu lilás, aromas divinos.
Deixo a janela escancarada,
Para que o sol penetre e salve!
Já não sou a dor, nem o torpor,
Posso caminhar, sem tropeçar!
Sou uma luz que ascende
E se entrelaça nas nuvens.
Sou um pássaro, com a asa ferida,
E, ainda assim, capaz de voar!

Algo de bom e caloroso está acontecendo em nosso Acre neste fim de 2006, que nos deixa confiantes de que em 2007 será melhor ainda. Penso nas coisas do coração e da alma que estão reaparecendo, devagarzinho, mas com identidade forte. Afirmo isso com a convicção de quem viu coisa parecida nos anos setenta e oitenta, de Wilson Pinheiro, Chico Mendes, Hélio Melo, Beto Rocha e tanta gente mais.

A novelista acreana Glória Perez com sua mini-série Amazônia –de Galvez a Chico Mendes, ainda em fase de produção, nos faz bem; o jornalista Altino Machado ecoa em seu blog com cheiro de mato; o Toinho Alves anda à espreita, dando seu toque de gênio; e tem uma pá de políticos de boa geração fazendo sua parte.

Os artistas, os jovens e os sábios da floresta revelam a tendência de trabalhar a memória antiga como parte dela. Dá pra ver isso na música, nas artes plásticas, na literatura e no teatro que felizmente começa a renascer por aqui. Estarei exagerando? Se a resposta é sim, desculpem a leseira. Vamos, então, à carta-resposta da Lúcia Pereira:

Escritora promete livro sobre Juvenal Antunes

“ Prezado Elson,

Pode me chamar por “você”, já tenho 61. Escrevo desde os 12 anos (o que é sempre um enorme prazer). Para falar sobre tio Juvenal e vovó Madalena? Eu farei isso na próxima semana com mais horas livres. Meu neto e nora viajarão a uma e meia da madrugada de amanhã (sexta – feira, 17 de novembro) e estou muito tensa. Vão para a AUSTRÁLIA em Sidney, onde o meu filho Renato se encontra. Serão dois anos sem esses meus grandes pedaços.

Glória Perez (extraordinária mulher das letras) é autora da minissérie Amazônia, onde o ator Diogo Vilela interpretará meu tio Juvenal, que era um boêmio inveterado, um celibatário nato e, acima de tudo, um nobre POETA. Ele deixou De Cismas e Acreanas. Mas foi bastante decantado pela Academia Acreana de Letras e, também, aqui no Rio Grande do Norte ele foi muito bem enfocado por Esmeraldo Siqueira, autor do livro, “O BOEMIO INOLVIDÁVEL”, pelo crítico literário Franklin Jorge Roque e por mim.

Em 1998 autografei, em alto estilo, com o respaldo de Roberto Pereira Varela (falecido em 04-10 recente), à época Prefeito de Ceará – Mirim em seu segundo mandato, a Breve Coletânea de Juvenal Antunes, que elogiava a preguiça, era poeta, boêmio, irreverente, norte - rio - grandense e amava Laura. Um título bem prolixo, mas era preciso para despertar a memória potiguar e norte - rio - grandense. Nesse meu livrinho publiquei muitos sonetos inéditos, outros conhecidos e os elogios de tio Juvenal: Elogio da Preguiça, Elogio do amor livre, Elogio da Velhice, Elogio da solidão e o fabuloso Elogio da Ignorância. Esse soneto foi uma espécie de homenagem à “ingenuidade” de Laura que não sabia ler ou escrever (outros faziam isso por ela). Tio Juvenal se inspirou numa cena onde acabara de se declarar, em versos (como inúmeras vezes) à Laura. Ao terminar, Laura bateu palmas e disse: “Ah! Juvená, tu és um Nero”. E ele, cheio de arrebatamento intelectual e uma certa decepção, respondeu zombeteiro e apaixonado: “E como sois burra, Laurinha! Sois a minha égua mais bela! O corcel maravilhoso e de trote mais macio”. Em seguida escreveu o Elogio da Ignorância, que é essa peça literária de valor inconteste (ver a seguir). Em breve lhe enviarei mais coisas sobre to Juvenal. Ele que viveu em Rio Branco e andou por esse Acre afora.

Vou enviando a capa ,que é o Oiteiro pintado pela artista plástica Goreth Medeiros, e o meu prefácio da seg. edição do livro de vovó Maria Madalena Antunes Pereira (1958 - pela ed. Irmãos Pongetti), nesta nova edição pela “AS. LIVROS” e autografado por mim em duas bienais seguidas. Também envio duas fotos do tio Juvenal e uma da vovó Madalena, bem como a visão do solar Antunes, em Ceará - Mirim, construído pelo meu bisavô paterno, Cel. José Antunes de Oliveira.

Estarei trabalhando com afinco no meu próximo livro sobre tio Juvenal. A Glória Perez (generosa e amável) sugeriu que o mesmo talvez possa ter um patrocínio e ser lançado durante as filmagens da minissérie. Que linda atitude dela ao homenagear o poeta da preguiça que era amigo do pai dela, Dr. Miguel Ferrante.

Abraços,
Lúcia Helena

ELOGIO DA IGNORÂNCIA

(Beati pauperes espiritu)

Ignorância! Sê tu sempre bendita,
Fonte do todo bem, de toda dita!

É um sábio quem me diz: “Muito estudei,
Mas, afinal, só sei que nada sei”.

Certo, a maldade anda de par com a ciência;
Mas, a ignorância alia - se à inocência.

Despreza as letras, rude tabaréu!
É garantido p teu lugar no céu.

Galileu ante os padres se ajoelhou;
Só assim das fogueiras escapou.

E Sócrates, na mesma estéril luta,
Morreu envenenado com cicuta.

Creio que se Jesus sofreu horrores
É que foi arengar entre doutores.

Eva pecou junto à árvores frondosa
Da ciência, cuja fruta é venenosa.

Terra de sábios, vede essa Alemanha!
Num mar de sangue a Europa inteira banha.

Congo, Bolívia, Haiti, Calábria, China,
Existe aí igual carnificina?

Ser jumento ou condor em nada influe
É a razão de Calino contra Rui.

Nas bibliotecas, livros aos milhões...
Contra os mesmos, as balas dos canhões!

Devem ficar de cólera bem roxas,
Pelo prejuízo, as traças e as carochas!

Diante de proceder tão feio e abjeto,
Não é melhor ser burro e analfabeto?

Sempre esbarra na dúvida e no engano,
O lerdo carro de saber humano!

A civilização, pelo que eu vejo
Anda, mas anda como caranguejo...

Sendo que, às vezes, ela é tão madraça,
Que mesmo esse decápode a ultrapassa.

Homens! Examinai vosso progresso!
Daí – nos paz e ventura...pelo avesso.

To, ó Laura, mulher de poucas letras,
Que não falas francês, que mal soletras.

Que pronuncias fia em vez de filha
E não sabes pospor uma cedilha.

Em matéria de amor és tão constante,
Tão fiel, tão delicada, tão amante.

E, embora sejas grande em formosura,
Não enxergas em mim tanta feiúra.

E aturas com paciência tão louvável,
Minha falta de juízo incomparável.

Que eu, como a ti nunca ninguém amei;
Nem por outra mulher te trocarei!

JUVENAL ANTUNES

O poeta Juvenal Antunes (1883-1941) será personagem da série da Rede Globo sobre o Acre, cujo título provisório é “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”, de autoria da escritora acreana Glória Perez. As gravações começam em setembro e a estréia está prevista para janeiro de 2007. Ele nasceu em Ceará-Mirim (RN) e foi advogado e promotor público no Acre. Segundo o jornalista Armando Nogueira, acreano de Xapuri, o poeta morreu de melancolia, em Manaus. Antunes publicou “Cismas”, ainda em Natal, além de vários poemas em jornais acreanos. Em 1922, publicou “Acreanas”, o primeiro livro de poesia escrito no Acre. A irreverência e a boemia determinaram a mudança de Estado. O poeta era irmão da memorialista Madalena Antunes Pereira e com ela manteve terna e bem-humorada correspondência, quando se viu forçado a mudar para o Acre.

Ao lado, Ida e Zé Rodrigues, proprietários do Hotel Madrid. Ida está inteirona, aos 92, e tem contribuído muito com a produção da minissérie Amazônia – de Galvez a Chico Mendes

http://www2.uol.com.br/pagina20/19112006/almanacre.htm

Juvenal e Laura tiveram uma filha

A musa Laura, do poeta Juvenal Antunes, cuja estátua guarda a entrada das novas instalações da Fundação Cultural Elias Mansour, no segundo Distrito, não foi invenção poética. Laura teve uma filha com Juvenal que se tornou feira e viveu até os 79 anos. Com um detalhe que revela a profundidade (ou estranheza) do amor que uniu o casal, o pai morreu sem saber da existência da filha.


Lúcia Helena

Quem faz a incrível revelação é a escritora Lucia Helena Pereira, sobrinha-neta do poeta e autora de sua biografia. Juvenal, que viveu 30 anos como hóspede do Hotel Madrid, em Rio Branco (Acre), onde agora funciona a Fundação Cultural, era promotor, boêmio e poeta da dimensão de um Augusto dos Anjos e de um Manuel Bandeira.

Mas o Brasil não o conheceu como devia. Após viver 30 anos do começo do século passado no Acre, ele tentou, doente, retornar à terra natal - Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte - mas morreu a bordo do navio que o transportava, nas imediações de Manaus.

É o que nos conta Lúcia Helena no livro ainda inédito: “Juvenal Antunes de Oliveira – sua vida, suas obras, seu grande amor e sua morte”. Na “Síntese Biográfica”, a escritora, que também é poeta escreve:

- Amou uma única mulher - Laura! Esta teve uma filha com o poeta, em 14 de junho de 1920, em Ceará-Mirim. Seu nome de batismo: Albaniza Cerqueira de Carvalho, posteriormente irmã Flórida, que se ordenou feira da congregação das irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Bom Conselho, servindo no Colégio Nossa Senhora de Fátima, de Natal (RN), durante muitos anos.

- Irmã Flórida falaceu em 29 de setembro de 1999, aos 79 anos. Embora Juvenal desconhecesse completamente (por exigência de Laura) e irreverentes essa filha, a família Antunes tomou conhecimento da sua existência em meados de 1953. Eu, particularmente, ao descobrir o nosso parentesco, logo a procurei e nutrimos mútuo afeto, contanto que eu respeitasse a sua paternidade;

- Quando preparava a Breve Coletânia de Juvenal Antunes, por uma questão de ética, procurei a irmã Flrórida que me recebeu no colégio. Eu precisava de sua autorização para descrever o amor de Laura por Juvenal sem ferir-lhe os “brios”. Inclusive, narrando as investidas do meu tio, pulando o muro do quintal para ver sua amada.

O livro de Lúcia Helena Pereira é um mergulho suave na obra poética de Juvenal, recheado de observações sutis e amorosas sobre a produção dos sonetos, sobre as manias do seu tio-avô, sua boemia, sua solidão, sua feiúra e sua genialidade, Ela informa, por exemplo, que Juvenal empregou em vários sonetos esta imagem poética sobre Laura:

Teu corpo tem, Laura,
o sabor das uvas
E o gosto da água das
primeiras chuvas.

A expressão consta do soneto “À Laura, numa hora de solidão”, do qual reproduzo estes versos:

Teus olhos, que direi desses dois globos,

Que ora cordeiros são, ora são lobos.

E parecendo grandes, delinqüentes,

São dois cândidos olhos inocentes.

Olhos que dizem sim e dizem não,

Olhos de maldição e perdição...

Olhos virginais, olhos de donzelas,

Adornadas de palmas e capelas.

Olhos de minha mãe junto ao meu berço,

Olhos de minha avó rezando o terço