ARTE E CULTURA EM ENDEREÇO PRIVILEGIADO
 

Juvenal Antunes II

ARTE E CULTURA EM ENDEREÇO PRIVILEGIADO
No coração do Circuito Cultural da Gameleira, Jorge Viana, Glória Perez, Binho Marques e convidados inauguram sede da Fundação Elias Mansour

Edmilson Ferreira


O governador Jorge Viana, a escritora Glória Perez, autoridades do Estado e do município de Rio Branco, além de artistas e intelectuais participaram nesta segunda-feira da inauguração da nova sede da Fundação Elias Mansour, evento que homenageou o poeta Juvenal Antunes, que morou naquele prédio quando ali funcionava o Hotel Madrid, às margens do rio Acre, no Segundo Distrito.

“Boêmio inveterado, irreverente e anarquista, Juvenal Antunes escandalizava a sociedade acreana do começo do século com a defesa do amor livre”, descreveu uma vez a novelista Glória Perez, autora de ´Amazônia – de Galvez a Chico Mendes´, a minissérie que contará a história do Acre e seus belos personagens. Entre eles está Juvenal Antunes, que teve estátua esculpida por Cristhina Motta na entrada da nova sede da FEM.

O prédio agora é o endereço definitivo da cultura do Acre e não somente um escritório de administração. No acesso, uma galeria permanente de artes plásticas. Mais adiante, o visitante encontra o setor administrativo. Localizada na rua Eduardo Assmar, que aos poucos vai se transformando no Circuito Cultural da Gameleira, a FEM agora ocupa o prédio do antigo Hotel Madrid, onde moraram Juvenal Antunes e seus ídolos inseparáveis - Laura, a musa distante e o ócio, presença constante.

A presença de Glória Perez, acreana que consegue fazer milhões de pessoas atentarem durante meses e meses à telinha da TV Globo, deu um brilho especial à festa. O antigo prédio do Madrid foi revitalizado ao longo de mais de seis meses para abrigar a FEM e consolidar a política de suporte às artes e ao pensamento: agora, a intelectualidade acreana possui um endereço de fato e de direito. O governo do Estado adquiriu o prédio de seus proprietários. A herdeira, dona Ida Rodrigues, com seus 92 anos, esteve presente e recitou quadrinhas de Antunes. “Ele era muito pornográfico”, disse ela, tia de Glória Perez. Ida foi proibida pelo marido de ficar muito tempo perto do poeta.

A estátua de Juvenal Antunes mostra-o conforme foi na boa parte da vida: de robe, com uma caneca de cerveja (“era a Gato Preto, Ga-to Pre-to, enfatizou a escritora Florentina Esteves, que também conheceu Antunes), uma caneta e um caderno. O ator Ivan de Castela apresentou uma belíssima perfomance do poeta, bêbado, satírico e anarquista - uma loucura para o Acre daqueles tempos.

“Cresci ouvindo as histórias dele”, disse Glória Perez. De fato, segundo os que o conheceram de perto, mais que um afeito à preguiça era um homem de alma generosa, que por isso atraia a atenção das pessoas - e sua pessoa paradoxal parece ter inspirado a frase de Jorge Viana na reinauguração da FEM: “aqui é a casa do possível e do impossível”.

Almoço - Jorge Viana e Binho Marques receberam a novelista Glória Perez em almoço na segunda-feira no Palácio Rio Branco. À noite, ela foi mais uma vez homenageada, junto com intelectuais e os dirigentes que passaram pela FEM como Gregório Filho, Toinho Alves, Elias Mansour, Armando Nogueira e José Matias. A placa de reinaguração da Fundação Elias Mansour traz um texto do jornalista acreano Armando Nogueira sobre Juvenal Antunes. “Foi o grande trovador de minha infância”, diz Nogueira, completando com uma biografia do escritor boêmio.

http://www.ac.gov.br/home/novasedefem.html

Laura

Falam de ti, de mim, de nós ... Quem há de
Tentar fechar as bocas viperinas?
Cada dia, mais cresce a intensidade
Do meu desprezo às almas pequeninas.

És a maior de todas as heroínas,
Com esse desdém e essa serenidade!
Que eu beije sempre as tuas mãos divinas
Minha dor! Meu prazer! Minha saudade!

Façamos deste amor um relicário,
A pirâmide, o túmulo, o sacrário,
Onde a nossa paixão seja guardada!

Vamos, Laura, assim por toda a vida!
E, embora nunca sejas a Possuída,
Para mim, sejas sempre a Desejada!
 Voltar